Cidadania é a participação de todos em busca de benefícios sociais e igualdade. Mas a sociedade política fascista se alimenta da pobreza. Para ser um componente integral da sociedade, o cidadão tem de usufruir direitos civis, políticos e sociais.
Os programas assistencialistas dos governos possuem contornos definidos e são mais frágeis do ponto de vista da legitimidade, não resolvendo a dificuldade estrutural da desigualdade social. Os programas assistencialistas do governo, reiteram as desigualdades sociais, podendo mesmo criar uma certa dependência nas pessoas que participam desses programas. Com essa relação de dependência o cidadão fica impossibilitado, mesmo de maneira inconsciente, de estabelecer sua cidadania, afundando cada vez mais na improvável inclusão social.
O grande risco dos programas assistencialistas do governo é o de reduzir a questão social, puramente na sobrevivência do indivíduo, não promovendo a sua inserção na sociedade, criando cada vez mais a subserviência. Quando a pessoa não cresce, não se promove, ela vai ficando mais pobre. Imaginar cidadania plena em uma sociedade pobre, em que o acesso aos bens e serviços é limitado, seria ilusório.
A verdadeira democracia implica na conquista e efetividade dos direitos sociais, políticos e civis. Se assim não se constituir, a cidadania permanece imóvel no papel. Essa cidadania aparente surge através do desrespeito aos direitos fundamentais do homem, ao não suprir as suas necessidades básicas, camufladas em assistencialismo político. Isso se dá através da desnutrição, do desemprego e da pobreza.
Há necessidade de implementação de ações concretas de geração de trabalho e renda, em vez de projetos assistencialistas, para que grandes populações de jovens e adultos excluídos encontrem espaço no mercado de trabalho .É necessário viver deste trabalho, exercendo através dele, o exercício da cidadania, interferindo na sociedade de maneira produtiva.
É necessário que a sociedade tenha conhecimento da verdadeira importância de ser cidadão, para possuir a capacidade de conhecer e perceber os seus direitos e reivindicá-los, no sentido de que o conceito de cidadão saia do papel , e se legitime, através da incorporação da identidade de um indivíduo marcado por suas vitórias, como sujeito construtor e co-autor de uma cidadania democrática.
Será que os programas cheque cidadão, bolsa família fazem bem para a classe excluída o fazem mal !
quinta-feira, 20 de maio de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Como preparar os filhos para o futuro
Lendo uma reportagem sobre a Princesa Diana encontrei algumas linhas que chamaram minha atenção. Comentava que certo dia a Princesa saiu discretamente do palácio levando seus dois meninos adolescentes aos subterrâneos de Londres numa visita aos seus moradores. Confidenciou que não queria seus filhos ignorantes a situação miserável de milhares de famílias. Até onde gerou fruto essa visita não sabemos, mas uma coisa a Princesa plantou: oportunidade do futuro rei da Inglaterra cultivar compaixão e sensibilidade em meio a tanta riqueza. Podemos aproveitar a lição dessa princesa que deixou muitas marcas por onde passou, comprovando que preparar os filhos para o futuro é necessário muito mais que provisão. Em uma livraria da cidade fiquei surpreso com a quantidade de livros editados sobre a educação dos filhos. Cada um apresenta sua fórmula mágica e garantia de sucesso, pois a procura é enorme, o que vem motivando as editoras e lançarem no mercado mais e mais edições. São tantas as dicas que na prática é impossível descobrir qual vai dar certo para minha família. Até uma educadora apareceu em programa de TV, chamada de ?super?, tentando resolver os conflitos existentes entre pais e filhos mal preparados para o futuro. Interessante que nesses programas quem mais precisava de ajuda era os pais, envolvidos em vícios, sem apoio educacional e cheios de feridas emocionais. Alguns pais ainda não acordaram para a realidade da grande mudança da sociedade. Com o consumo em ritmo acelerado e a necessidade de complementação de renda, os pais ficam pouco em seus lares e não querem ser chamados de repressores e então começam a inventar. Como forma de aplacar o sentimento de culpa pela ausência, compensa com presentes e liberdade excessiva deixando a autoridade de lado. Uma das grandes mentiras é a frase usada em todos os segmentos da sociedade: ?O que importa é a felicidade?, deixando as normas e os princípios bíblicos esquecidos. Sem autoridade e sem limites as crianças estão fazendo o que desejam. Larry Keetauver em seu livro ?Verdades para ser bons pais?, diz que formar filhos exige amor, tempo, paciência, fé, determinação, trabalho... mas isso vai se tornar um fardo se não houver o contraponto ? disciplina, obediência, respeito e limites. Jamais uma criança estará preparada para enfrentar as situações do dia a dia se não passar por frustrações e também por renuncias. Infelizmente os pais modernos tão tanta proteção a seus bebes que ao crescerem não sabem tomar decisões simples e escolhem muitas vezes o caminho errado e do sofrimento. Quando assisto filmes de recrutas sendo preparados para a guerra, com longas caminhadas, exercícios físicos até a exaustão, noites sem dormir, comida e bebida racionada, cama arrumada, arma limpa, botas impecáveis e principalmente obedecer às regras do comando, fico imaginando o quanto os filhos seriam diferentes em lares onde impera a ordem e a obediência aos superiores. Os lares hoje são mais acampamentos de férias e de brincadeiras do que um lugar especial na preparação de pessoas dignas e comprometidas com Deus e a sociedade. Não há ordem, nem regras e muitas vezes o lar é comparado a um campo de batalha, com mortos e feridos. A grande maioria dos pais não está levando seus filhos para um futuro promissor, mas para um futuro cego sem saber o que pode acontecer. Muitos pais cristãos pensam que deixando nas mãos de Deus tudo dará certo, o que é um puro engano. Se Deus, como Pai, corrige aqueles a quem ama, porque nós não corrigimos nossos filhos a quem amamos? Leia o que está escrito em Provérbios 13:24: ?O pai que não castiga seu filho quando é preciso mostra que não tem amor por ele. Um pai que ame seu filho de verdade, desde cedo, dará o castigo apropriado?. Vamos parar de ler livros e revistas sobre educação de filhos que não estão de conformidade com a Palavra de Deus, pois a educação de filhos em nosso planeta está sendo comandada por pessoas despreparadas, feridas emocionalmente e desejosas de mudança, desde que a Palavra de Deus fique fora disso. Que acha carinho, mimos, abraços, sorrisos, brincadeiras, festas, e tudo que seja necessário para um lar realmente feliz, mas que acha regras, limites, respeito, disciplina e obediência. O lugar de preparar os filhos para o futuro é em casa, não na rua, na escola e até na igreja. Os responsáveis pela educação não é o professor, pastor, amigo, padrinhos etc, os responsáveis são os pais. E isso Deus vai pedir conta! Está na hora de mudar, vamos ? FAZER A DIFERENÇA?! Tenha filhos obedientes e submissos a Deus, aos pais e as autoridades.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Eleições 2010: um debate que o Brasil precisa fazer”

O Brasil vai realizar em outubro do ano que vem uma das eleições mais importantes desde a retomada do sistema democrático no país, na metade da década de 1980. Em 2010, os brasileiros vão votar para presidente da República, dois senadores, governadores dos Estados, deputados federais e estaduais. Agora, nesta eleição não estará em jogo apenas e simplesmente quem serão os nossos futuros governantes. O que estará em votação são modelos antagônicos de gestão pública.
No ano que vem terminam os governos . Mas o que isto representa? Simplesmente que estarão sendo concluídos, um ciclo de governo que criou políticas específicas para as camadas menos favorecidas da sociedade. Portanto, o que o eleitor vai dizer é se prefere a continuidade desta forma de administrar ou a volta do neoliberalismo, sistema voltado apenas aos interesses dos grandes grupos econômicos.
Mas, independente de posições partidárias, de alinhamento ideológico ou sistemas de governo, um debate que o Brasil não pode deixar de fazer é a criação de um plano de desenvolvimento auto-sustentável. É bom destacar que a política do governo federal garantiu a estabilidade econômica e a ascensão social para milhares de brasileiros que estavam abaixo da linha da pobreza!
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
"Da Rua para a Escola"
O programa "Da Rua para a Escola" , criado no estado do Paraná tem como sua principal característica, assegurar o desenvolvimento de crianças e adolescentes e promover o bem-estar social da família.
O programa prevê a entrega de uma cesta básica de alimentos por mês à família que mantiver as crianças estudando. Desde que começou, no município de Ponta Grossa no Paraná, em 1995, o "Da Rua para a Escola" distribuiu 1,3 milhão de cestas. São beneficiadas todos os meses 23.530 famílias.
A proposta de encaminhar ou manter crianças e adolescentes, de 7 a 18 anos, na sala de aula, é o princípio de um atendimento que melhora as condições de vida da comunidade. Ao ser cadastrada no programa, a família recebe orientação, atendimento e acompanhamento nas diversas áreas de assistência social, além da educacional.
Todos os familiares são assistidos no campo da saúde física e mental, com acompanhamento médico e psicológico, e orientados para que haja harmonia na estrutura doméstica. "Este programa é fundamental para a comunidade, já que assiste a família nos aspectos necessários para criar paz e integridade no lar e dar condições ao bom desenvolvimento do cidadão".
Por causa de deficiência encontradas no lar, muitas crianças e adolecentes têm dificuldades para acompanhar a didática regular de ensino.
O programa funciona como uma ponte para solucionar outros problemas da população.
Desde 1995, o governo do Paraná investiu cerca de R$ 30 milhões no programa para garantir o acesso e a permanência das crianças na escola e reestruturar as famílias. O "Da Rua para a Escola" foi premiado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, em 1996, e apresentado como exemplo nacional na área em uma Conferência Mundial de Voluntariado na Holanda, no ano passado.
O programa atua em três campos fundamentais, além do educacional: resgate da cidadania, assistência social e geração de renda. O combate à violência passa pelo apoio do Estado às famílias e pela atenção às crianças. A prevenção à criminalidade começa dentro da casa das pessoas e no Paraná se faz isso oferecendo creches e tirando as crianças das ruas.
Do total de famílias integradas ao "Da Rua para a Escola", 37% ingressaram no programa com a retirada de crianças da rua; 30% iniciaram com menores que deixaram o trabalho infantil e 25% das famílias estavam em situação de extrema carência. O restante é formado por causas diversas. Hoje temos vários projetos em nosso estado como o cimento social o PAC que poderiam ter esse projeto agregado em sua composição, pois combater a criminalidade e se fazer presente no ceio familiar através de projetos como esse !
O programa prevê a entrega de uma cesta básica de alimentos por mês à família que mantiver as crianças estudando. Desde que começou, no município de Ponta Grossa no Paraná, em 1995, o "Da Rua para a Escola" distribuiu 1,3 milhão de cestas. São beneficiadas todos os meses 23.530 famílias.
A proposta de encaminhar ou manter crianças e adolescentes, de 7 a 18 anos, na sala de aula, é o princípio de um atendimento que melhora as condições de vida da comunidade. Ao ser cadastrada no programa, a família recebe orientação, atendimento e acompanhamento nas diversas áreas de assistência social, além da educacional.
Todos os familiares são assistidos no campo da saúde física e mental, com acompanhamento médico e psicológico, e orientados para que haja harmonia na estrutura doméstica. "Este programa é fundamental para a comunidade, já que assiste a família nos aspectos necessários para criar paz e integridade no lar e dar condições ao bom desenvolvimento do cidadão".
Por causa de deficiência encontradas no lar, muitas crianças e adolecentes têm dificuldades para acompanhar a didática regular de ensino.
O programa funciona como uma ponte para solucionar outros problemas da população.
Desde 1995, o governo do Paraná investiu cerca de R$ 30 milhões no programa para garantir o acesso e a permanência das crianças na escola e reestruturar as famílias. O "Da Rua para a Escola" foi premiado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, em 1996, e apresentado como exemplo nacional na área em uma Conferência Mundial de Voluntariado na Holanda, no ano passado.
O programa atua em três campos fundamentais, além do educacional: resgate da cidadania, assistência social e geração de renda. O combate à violência passa pelo apoio do Estado às famílias e pela atenção às crianças. A prevenção à criminalidade começa dentro da casa das pessoas e no Paraná se faz isso oferecendo creches e tirando as crianças das ruas.
Do total de famílias integradas ao "Da Rua para a Escola", 37% ingressaram no programa com a retirada de crianças da rua; 30% iniciaram com menores que deixaram o trabalho infantil e 25% das famílias estavam em situação de extrema carência. O restante é formado por causas diversas. Hoje temos vários projetos em nosso estado como o cimento social o PAC que poderiam ter esse projeto agregado em sua composição, pois combater a criminalidade e se fazer presente no ceio familiar através de projetos como esse !
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
O papel da família na reestruturação das políticas sociais.

A crise do Estado de Bem-Estar Social tem contribuído para a redescoberta da família, das redes primárias e da comunidade como atores fundamentais na efetivação das políticas sociais. A família é cada vez mais objeto de atenção das instituições governamentais e dos cientistas sociais pela grande quantidade de atividades de proteção, ajuda e cuidado que ela desenvolve. Atualmente, há várias propostas de políticas sociais baseadas na concepção de "cuidado comunitário", que objetivam co-responsabilizar a comunidade em relação aos problemas sociais e de saúde. Uma das estratégias é o Programa de Saúde da Família, que visa oferecer serviços de atenção básica às famílias e às comunidades. Observa-se, porém, uma profunda transformação na organização da família, na sua composição e estrutura e sua função. O desenvolvimento de uma política mais efetiva nessa área deve promover um processo de educação continuada dos profissionais, aprofundando sua formação quanto à abordagem familiar e comunitária. Os planejadores de políticas sociais dispõem de várias possibilidades para introduzir novas e criativas iniciativas em nível de comunidade, que oferecem a oportunidade de valorizar o papel do cuidado informal, em particular o cuidado subministrado pelo parentesco, e para integrá-lo às atividades realizadas pelos serviços institucionais.
Palavras-chave: Família, Saúde da família, Cuidado informal, Cuidado comunitário, Políticas sociais
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
O modelo atual de educação formal rumo aos avanços exige uma educação dinâmica, mais ativa, mais participativa e que cada vez mais a escola busque subsídios capazes de formar alunos e cidadãos em sua totalidade. Neste desafio, tanto os jogos quanto as brincadeiras são excelentes ferramentas, pois com eles é possível trabalhar o desenvolvimento pessoal juntamente com o exercício da vida grupal. Com estas duas poderosas ferramentas, no âmbito escolar, podemos de forma lúdica, trabalhar o desenvolvimento global do aluno em todas as suas dimensões
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Educação para a Democracia
É sabido, também, que existe, no sistema de ensino brasileiro, um "espaço" para a educação do cidadão - na maioria das vezes como mero ornamento retórico ou, então, confundida com um vago civismo ou "patriotismo", o qual, evidentemente, varia muito de acordo com as concepções dos principais dirigentes educacionais.
Além disso, a "educação para a cidadania", presente como objetivo precípuo em todos os programas oficiais das secretarias de Educação, estaduais e municipais, independe do compromisso explícito dos diversos governantes com a prática democrática. Mas não existe, ainda, a educação para a democracia, entendida, a partir da óbvia universalização do acesso de todos à escola, tanto para a formação de governados quanto de governantes. Ao contrário, aqui ainda persiste, como no exemplo criticado por Alain no sistema francês, "um ensino monárquico, ou seja, aquele que tem por objetivo separar os que serão sábios e governarão, daqueles que permanecerão ignorantes e obedecerão". Aliás, o grande educador brasileiro Anísio Teixeira também deve ser evocado em sua crítica à "escola paternalista, destinada a educar os governados, os que iriam obedecer e fazer, em oposição aos que iriam mandar e pensar, falhando logo, deste modo, ao conceito democrático que a deveria orientar, de escola de formação do povo, isto é, do soberano, numa democracia".
Além do exemplo brasileiro, é crucial a advertência de Norberto Bobbio, para quem a apatia política dos cidadãos compromete o futuro da democracia, inclusive no chamado primeiro mundo. Dentre as "promessas não cumpridas" para a consolidação do ideal democrático, aponta ele o relativo fracasso da educação para a cidadania como transformação do súdito em cidadão. Bobbio recorre, ainda, às teses de Stuart Mill para reforçar a necessidade de uma educação que forme cidadãos ativos, participantes, capazes de julgar e escolher - indispensáveis numa democracia, mas não necessariamente preferidos por governantes que confiam na tranqüilidade dos cidadãos passivos, sinônimo de súditos dóceis ou indiferentes.
Democracia é o regime político fundado na soberania popular e no respeito integral aos direitos humanos. Esta breve definição tem a vantagem de agregar democracia política e democracia social. Em outros termos, reúne os pilares da "democracia dos antigos" - tão bem explicitada por Benjamin Constant e Hannah Arendt, como a liberdade para a participação na vida pública - aos valores do liberalismo e da democracia moderna, quais sejam, as liberdades civis, a igualdade e a solidariedade, a alternância e a transparência nos poder (contra os arcana imperi de que fala Bobbio), o respeito à diversidade e a tolerância. Educação é aqui entendida, basicamente, como a formação do ser humano para desenvolver suas potencialidades de conhecimento, julgamento e escolha para viver conscientemente em sociedade, o que inclui também a noção de que o processo educacional, em si, contribui tanto para conservar quanto para mudar valores, crenças, mentalidades, costumes
Além disso, a "educação para a cidadania", presente como objetivo precípuo em todos os programas oficiais das secretarias de Educação, estaduais e municipais, independe do compromisso explícito dos diversos governantes com a prática democrática. Mas não existe, ainda, a educação para a democracia, entendida, a partir da óbvia universalização do acesso de todos à escola, tanto para a formação de governados quanto de governantes. Ao contrário, aqui ainda persiste, como no exemplo criticado por Alain no sistema francês, "um ensino monárquico, ou seja, aquele que tem por objetivo separar os que serão sábios e governarão, daqueles que permanecerão ignorantes e obedecerão". Aliás, o grande educador brasileiro Anísio Teixeira também deve ser evocado em sua crítica à "escola paternalista, destinada a educar os governados, os que iriam obedecer e fazer, em oposição aos que iriam mandar e pensar, falhando logo, deste modo, ao conceito democrático que a deveria orientar, de escola de formação do povo, isto é, do soberano, numa democracia".
Além do exemplo brasileiro, é crucial a advertência de Norberto Bobbio, para quem a apatia política dos cidadãos compromete o futuro da democracia, inclusive no chamado primeiro mundo. Dentre as "promessas não cumpridas" para a consolidação do ideal democrático, aponta ele o relativo fracasso da educação para a cidadania como transformação do súdito em cidadão. Bobbio recorre, ainda, às teses de Stuart Mill para reforçar a necessidade de uma educação que forme cidadãos ativos, participantes, capazes de julgar e escolher - indispensáveis numa democracia, mas não necessariamente preferidos por governantes que confiam na tranqüilidade dos cidadãos passivos, sinônimo de súditos dóceis ou indiferentes.
Democracia é o regime político fundado na soberania popular e no respeito integral aos direitos humanos. Esta breve definição tem a vantagem de agregar democracia política e democracia social. Em outros termos, reúne os pilares da "democracia dos antigos" - tão bem explicitada por Benjamin Constant e Hannah Arendt, como a liberdade para a participação na vida pública - aos valores do liberalismo e da democracia moderna, quais sejam, as liberdades civis, a igualdade e a solidariedade, a alternância e a transparência nos poder (contra os arcana imperi de que fala Bobbio), o respeito à diversidade e a tolerância. Educação é aqui entendida, basicamente, como a formação do ser humano para desenvolver suas potencialidades de conhecimento, julgamento e escolha para viver conscientemente em sociedade, o que inclui também a noção de que o processo educacional, em si, contribui tanto para conservar quanto para mudar valores, crenças, mentalidades, costumes
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